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Meu Perfil BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, TIJUCA, Homem
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b-sides
Pare de sofrer!
Tava vendo alguns panfletos daqueles dão na rua. O que é um grande mistério como a gente se sente atraído por algo que está sendo lhe dado de grátis, mesmo que seja a porcaria de um papelzinho sem a menor utilidade senão a de encher os seus bolsos de lixo.
Um deles falava sobre os males do cigarro, drogas e bebidas – Por onde será que eu andei? Não me lembro de ter passado na frente de nenhuma igreja de crente ou coisa parecida – fazia vários questionamentos básicos do tipo “Quer parar de fumar? Tem problemas de alcoolismo na família?” e etc.
Por um instante eu cheguei a responder mentalmente aquelas perguntas e a conclusão que o panfleto chegou para mim, foi então profícua. Sou beberrão, fumo como uma chaminé e a favor da legalização da maconha. Mas, no entanto, não acho isso uma coisa de todo ruim.
Claro que corre o risco de eu ter um enfarte aos 30 anos e dar adeus ao mundo cruel, ou...não. Já ouvi tantos casos de pessoas que tinham um ótimo condicionamento físico e que no entanto, foram atropeladas ali na esquina, por alguma moto desgovernada. Tudo é muito relativo.
Deixando os clichês de lado, acho que seria bem mais provável que eu tivesse um enfarto ou desenvolvesse um tumor na cabeça caso eu não fizesse uso das minhas drogas, lícitas ou não. Não pensem mal de mim, não vivo jogado na sarjeta e muito menos tenho como despertador a língua de um vira-lata sarnento.
Mas considero o uso recreativo de drogas algo completamente saudável, assim como fazer yoga ou coisa do tipo. Enquanto outros exemplos de “vida saudável” acabam se revelando armas letais contra o ser humano, me refiro aos anabolizantes usados pelos saudáveis praticantes de musculação e afins.
E deixando a politiquice correta de lado, é bom que admitamos que não há nada melhor do que uma cervejinha no final da tarde de sexta feira depois daquele dia estafante, se acompanhado de um cigarrinho ainda... hmmm, nada melhor.
A questão é saber usar essas drogas a seu favor e não viver em função delas, como o tal panfletinho amarelo considerava que acontecia em 100% dos casos.
É bom terminar esse texto dizendo que não recebi nenhuma espécie de verba, presente ou agrado de qualquer empresa de bebida alcoólica ou de cigarros. É apenas uma questão de opinião, etílica e só.
Escrito por Mr. B às 01h10
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Tem dias em que os dias são chatos demais. Pode ser por excesso de coisas para fazer, ou justamente pelo contrário, o que é o meu caso, por não ter nada com o que se preocupar emergencialmente ou apenas para pensar com mais afinco.
Aí você acaba fazendo o quê? Pensando merda, obviamente. Começa a formular grandes discursos para certos momentos já passados, em que um nó na garganta e um branco na mente te privaram dessa lucidez, desse discurso primoroso preparado meticulosamente, mas já sem serventia alguma.
Se pelo menos pudesse ligar para a pessoa em questão e despejar essa verborragia, e não ser chamado de louco, seria uma boa saída. Mas certamente, ao ser indicado para um quarto num manicômio, ficaríamos novamente ser ter o que dizer.
Outro pensamento freqüente e torturante das horas de ócio, os famosos dilemas que confudem a mente, no eterno balanço entre os pontos positivos e negativos. “Será que eu serei mais feliz se voltar para a academia? Mas é tão ruim ficar malhando, mas é tão bom ter um corpo legal” e assim vai.
Por último, antes que a preguiça lhe tome por completo, começamos a imaginar como seria “se...”. Essa é a pior parte, na minha opinião, pois ficamos naquela viagem eterna de que “se fôssemos chamados para aquele emprego...”, “se tivesse ficado um pouco mais naquela festa...” e etc.
Enfim, não existe ócio criativo. Existe criatividade ociosa, e ela enche o saco!
Escrito por Mr. B às 00h34
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Tentando mais uma vez
foto:Globoonline

Mais um ano se passa e analisando superficialmente, parece que continuamos na mesma. Não ganhei tanto dinheiro quanto esperava, não conheci o amor da minha vida, minhas notas não foram dignas de aplauso e quase nenhuma daquelas promessas que fiz nas areias de Copacabana, entre uma taça e outra de champagne, no longínquo 31 de dezembro de 2004, vieram a se realizar. Algumas coisas retrocederam, houve surpresas de lados aonde você supunha ter o controle, decepções, desilusões, “mensalões” e discussões infindáveis que no final das contas só desejavam expressar uma única e intrigante questão: “pra onde vamos agora?”
Mas quando você pára realmente e faz um retrospecto dos últimos 365 dias, não só nos termos da vida cotidiana e mundana que levamos, mas no crescimento pessoal, ela pode se tornar bastante positiva. Às vezes é pensar nisso que nos faz deitar a cabeça depois de uma inebriante noite de réveillon, e dormir com tranqüilidade, sabendo que todas as promessas não cumpridas, as surpresas pelo caminho, os percalços e pepinos descascados trabalharam para a construção do ser que nos representa.
Um namoro mal-sucedido pode ter contribuído para uma maior cautela num próximo relacionamento, aquela demissão pode ser a causa para uma reciclagem profissional que lhe renderá bons frutos, o tempo que você “perdeu” lendo livros e discutindo foram essenciais para o seu progresso intelectual, e a clássica decepção político-ideológica servirá para que a luta se torne mais concreta, séria, um tanto quanto desgarrada de passionalismos adolescentes.
Os hinduístas costumam dizer que o espírito é um diamante bruto que vai se dilapidando a partir das boas ações que você realiza através das diversas vidas por que passa, no momento em que esse diamante estiver completamente reluzente, atingiremos o Nirvana. Para mim, ateu e cético toda a vida, esse ensinamento milenar poderia ser traduzido trocando o espírito pela essência humana, o ser racional, as boas ações pelas situações a que nos vemos confrontados todos os dias e as diversas vidas por uma apenas, em que se pode viver por milhares delas, e o Nirvana seria a satisfação de poder olhar para trás com orgulho de cada uma de suas ações.
Agora que o ano novo já está em curso, deixemos as listas de promessas no fundo de uma gaveta esquecida e tenhamos todos uma tentativa de feliz 2006.
Escrito por Mr. B às 17h57
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Fora de moda

é...acabou-se o que era doce.
Ao que tudo indica, o Nightwish acabou. Após um mega-show em 21 de Outubro último, na cidade de Oslo, a pomposa vocalista Tarja Turunem recebeu a ordem de despejo, escrita pelos outros integrantes da banda. A expulsão se deu por, segundo eles, uma série de incompatibilidades que tornaram a presença da vocalista insustentável dentro da banda. Ela sempre me pareceu meio sebosona e impostora, pois nunca foi fã de metal. Deixava transparecer que estava ali apenas por que o negócio deslanchou de uns anos pra cá, aí aproveitou para exercer um lado estrelae ganhar uma grana preta. Ridículo!
Um fato que me chamou atenção nessa história toda é que quem foi apontado como pivô da separação, foi o marido argentino da vocalista. Esposas sempre foram um problema para as bandas de rock, vide os exemplos de Black Sabbath, Beatles e até mesmo o Sepultura, em que o vocal Max Cavalera pulou fora justamente por causa de sua mulher, dizem. Mas ver um homem ocupando um papel que já foi de Yoko Ono, é no mínimo engraçado.
O Nightwish, no entanto, não acabou oficialmente, eu é que estou sendo clarividente em dizer que isso em breve ocorrerá. Tudo por que a banda foi construída em cima do suposto carisma da vocalista, uma coisa muito personalista, tanto que ela se sentiu no direito de estar acima dos outros integrantes. Um caso do passado semelhante a esse foi o do Nirvana, que além de ter uma esposa mala metida no meio – Sra. Courtney Love – acabou junto com o estoque de heroína, que fez o Kurt Cobain mucho loco, vir a se matar.
Bem, se acabar também já foi tarde. Tava ficando chata essa modinha de meninas de preto, pretensas góticas do alto de seus treze anos, treinando falsetes no pátio da escola e infestando ainda mais, o já infestado Garage (reduto rock localizado na zona norte do Rio). As revistas direcionadas ao gênero também estavam insuportáveis, estampando a melhor banda dos últimos tempos da última semana (Titãs...que merda!) e que era uma cópia cuspida e escarrada da banda finlandesa.
O que me faz ficar receoso é pensar no que vem por aí agora. Será que depois do melódico, do emocore, do new metal e do black metal de butique, só para citar alguns, a indústria cultural vai se apropriar algo de bom do underground metálico? Como não sou uma polyana, creio certamente que não. Preparem-se por que lá vem bomba!
Escrito por Mr. B às 01h15
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O último que sair...

A partir do dia 23, o governo mexicano passará a exigir visto aos brasileiros que desejam entrar no país. A medida, em tese, tem o objetivo de trazer “um marco de segurança jurídica” para o desenvolvimento do turismo e dos negócios entre os dois países.
Uma resposta completamente evasiva para legitimar o poder do imperialismo norte-americano sobre seu principal quintal, o México. Essa decisão foi tomada claramente com o objetivo de coibir o êxodo de brasileiros em busca do seu American way of life.
Só neste ano, mais de 30 mil brasileiros foram detidos nos EUA e deportados de volta à pátria-mãe. Número esse, que só fez crescer, dado que em 2004, foram 20 mil os detidos pela imigração norte americana. Mas o que leva uma pessoa a largar tudo e ir para uma terra estranha, arriscando a sua vida para tanto?
Há alguns meses, o país acompanha na televisão a novela “América” que entre uma de suas histórias que beiram o realismo fantástico, narra a história de uma jovem que é obstinada em viver nos EUA, passando por percalços que se julgam ser os procedimentos regulares de quem é ilegal naquele país. Mesmo assim, o glamour que envolve a idéia da “terra das oportunidades” é bem maior do que qualquer suspiro da Deborah Secco.
Podemos encontrar explicações que vão desde a teorias culturais e da comunicação – massificação da cultura americana em todo mundo, globalização – até aos mais banais fatores sócio-econômicos nossos de todo dia como o despreparo educacional dessas pessoas, vindas em sua maioria de cidades médias e pequenas do interior do Brasil, a falta de perspectivas em relação a emprego, moradia, família entre outros.
E o pior é que aquele desejo se torna uma obsessão. Um exemplo disso é o depoimento de Wellington Rodrigues dos Santos Júnior, dado à Folha de S. Paulo, no domingo (17), em que revela estar tentando entrar nos EUA ilegalmente pela terceira vez, após ter sido deportado duas vezes, ele cita a “confiança em Deus” de que irá conseguir e condiciona sua permanência no Brasil caso arrume um emprego “Se achar emprego aqui para ganhar R$ 600, R$ 700, fico, mas é difícil.” disse.
Representantes da embaixada brasileira no México, dizem que agora, a nova porta de entrada para os EUA dos brasileiros imigrantes será a Guatemala. Fica aí mais um obstáculo, pois essas pessoas serão duplamente ilegais, já que terão que atravessar o México ilegalmente para posteriormente chegar os EUA. Seria cômico, se não fosse trágico.
Essa história toda me lembra uma música muito foda de uma banda mexicana de metal chamada Brujeria. O nome da música é La migra e fala justamente sobre a travessia de chicanos pela fronteira dos EUA. Recomendo o download. Só para sentir lá vai um trecho...
“Pinches polleros, viven pa' féria Te cobran tú sueldo y largan tú abuela La pinche migra te está esperando Te devuelven despues de una paliza La migra hayó tú abuela en el desierto La mandaron a Tijuana pegada con palos El brujo tiene contrabando bien bueno Numeros de seguro y cartas verdes
La migra la migra Te pegan bien duro La migra la migra Te pica el culo”
Escrito por Mr. B às 00h47
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Exorcizando - Breve relato de um vocalista pretensioso

Garage - Dezembro de 2003
Já cheguei meio atrasado, pedindo desculpas, mas nem foi por culpa minha. Era para começar as oito, eles estavam lá às oito, eu que cheguei com uns vinte minutos depois. Mas eles aparentaram, e senti que era verdade, não ligar.
Puxaram uma música logo de cara, peguei o microfone e cantei-a como já não fazia há meses, e põe meses nisso, Fluiu muito bem. O outro guitarrista chegou depois de duas ou três músicas e algumas repetições e erros. Teve problemas com o amplificador, mas logo tudo se resolveu. Agora a banda estava completa!
As letras que eu julgava perdidas em algum baú empoeirado da minha mente, saíram perfeitamente, verso por verso, estrofe por estrofe. Os guturais ainda permanecem os mesmos, meus receios não valiam de nada, o espírito ainda permanece.
Uma hora se passou no relógio instalado estrategicamente no alto da porta de entrada. Bebemos água, a garganta arranhava um pouco, mas não era nada, sempre acontecia isso. Mais alguns erros, invencionices e desencontros, entremeados pelas músicas que consideramos os clássicos eternos da nossa banda, que em agosto passado completou 4 anos de existência.
Banda que começou no quinto andar de um prédio na 28 de setembro em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Eu, então com 17 anos compunha algumas letras de bobeira mesmo, para extravazar, blasfemar contra tudo, embalado pelo Thrash, death e black metal que eram presenças constantes no meu disc-man.
Meu irmão pensava parecido, sonhava em ser baterista. Treinava em casa mesmo, no famoso air drums, tivera algumas experiências com banda que, no entanto, não foram muito bem sucedidas, queria algo mais do que o usual, queria a raiz da coisa, a veracidade no tocar e a ferocidade sonora que isso poderia causar.
Ficamos bolando um projeto, devaneando como sempre, mas daí só o primeiro nome que logo seria abandonado saiu: Sacrifício Humano. Um dia meu irmão comprou uma bateria, colocou-a no nosso quarto, ocupando quase a metade do espaço, dominado pela bagunça caótica de dois preguiçosos por natureza. (continua...)
Escrito por Mr. B às 16h34
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Exorcizando - Breve relato de um vocalista pretensioso Parte II

Garage - Dezembro de 2003
Barulho, barulho, o esporro era muito perceptível, mas fingíamos que não estávamos nem aí. A vizinhança olhou torto no início, mas logo se acomodaram. Combinei com um grande amigo meu do colégio um ensaio, ele tinha saído da experiência de uma sucessão de bandas tocando sucessos farofas nas festas acadêmicas e queria mais.
Sempre tivemos um problema crônico com baixistas, todos que apareceram, acho que já podemos contar mais de 7, sempre apresentaram algum problema, ou sumiram, ou eram loucos de pedra e afins.
Nosso primeiro ensaio foi legal, precário, mas muito legal. Eu me esgoelando num microfone baixo, espremido entre a cômoda da televisão e a beliche, o guitarrista sentado na cama de baixo e meu irmão suando em bicas, característica que lhe marcou durante as brincadeiras em off.
Foi engraçado por que já nesse ensaio, fizemos umas quatro músicas, parece que já estávamos com uma gana tão grande de tocar, que quando a coisa aconteceu tudo se encaixou de uma vez, sem vaselina nem nada. Umas seis músicas aí já estavam prontas, esperando apenas um certo “aprimoramento”. Nos despedimos do guitarristas, já era tarde, meu irmão tomou banho, enquanto eu ainda fiquei pensando, sentado no sofá como tinha sido manero o ensaio.
Dias depois, o nome definitivo viria à tona: Exorcismo Negro. E assim começou a história.
Dez horas, fim do ensaio. Após uma discussão amistosa de que dia seria interessante um novo ensaio, fomos embora. A volta foi boa, e o show marcado para daqui a algumas semanas espero que também o seja.
Escrito por Mr. B às 16h30
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Por que votar nulo?
Esse referendo sobre a proibição da venda de armas já está dando no saco. É revoltante ver essa pseudo-polarização entre os bonzinhos globais do “sim” e os malvadões lobistas do “não”.
Acho que ambos os lados estão extremamente equivocados. Primeiro que independente do lado que ganhe a disputa a situação de guerra civil vai continuar na mesma. Agora há pouco, pude ser agraciado com o som das novas metralhadoras adquiridas pelos traficantes do morro do Turano aqui no Rio Comprido. Talvez sejam douradas como a que foi apreendida por esses dias.
Pois é, as mortes diárias e numerosas por armas de fogo não irão ter fim apenas com uma clicada na urna eletrônica, não temos no nosso país uma cultura armamentista, de idolatria à rifles e revolveres, como nos EUA. Temos uma guerra civil velada, instaurada graças aos 500 anos de descaso e da gritante desigualdade e corrupção das esferas públicas e privadas, que fazem com que isso aqui nada mais seja do que uma versão estendida de uma “República de bananas”.
Do outro lado, os que pregam a vitória do não, conclamam a liberdade individual para que as armas não sejam proibidas “se você não precisa de uma arma, não impeça quem precisa ter uma” dizem eles, então se formos nos guiar por essa lógica, temos todo o direito de matar, afinal estamos apenas cumprindo a nossa liberdade individual de eliminar aquele que não estava a respeitando, e você, que é pacifista, tem que me respeitar. Isso sem falar nos lobistas – a famigerada bancada da bala - e conservadores sujos que estão por trás desse “não”.
Então como fico eu e outros brasileiros – milhares, eu espero – que não concordam com nenhum dos lados mas querem ter sua participação considerada. A saída redentora é o nulo. Só ele pode nos salvar de mais uma babaquice que esse governo, eleito por mim aliás, nos faz passar.
As conseqüências da vitória de um dos lados é muito perceptível. No caso do sim, a violência permanecerá a mesma, ou até aumentará com a ascensão de mais um tipo de traficante, o de armas, que vai lucrar estrondosamente, vendendo armamamento para os ditos “cidadãos de bem”, que não irão concordar com a lei instaurada e vão alimentar esse mercado ilegal, criando mais uma frente de confronto com o Estado de Direito e portanto, mais tiroteio, mais feridos e mais mortos.
Caso o não ganhe, a coisa permanece como está e a violência aumenta de qualquer forma, pois será a porta aberta para os mais novos lançamentos mundiais, o que há de mais sofisticado em armas de fogo, pois será a reafirmação e legitimação de um círculo vicioso, alimentado pela indústria que – direta ou indiretamente – lucra com a celeuma da violência no nosso país, em que para combater a violência, basta apenas uma dose maior de violência.
O nulo não vem como um voto daquele que não sabe do que se trata a questão, claro que esses existem mas, pelo contrário, pode se transformar no voto das pessoas que pensam crticamente e com independência de interesses escusos ou não. Num plano ideal, a vitória do nulo seria a prova cabal de que a sociedade brasileira está crítica e consciente o bastante para definir seu rumo na história, se firmando de vez como um personagem político – e de peso, diga-se de passagem!
Quem se amendrontaria com isso seria a elite política desse país, que talvez tomasse um pouco de vergonha na cara e trabalhasse com seriedade, pelo desenvolvimento da nação e consultando o povo em questões mais relevantes como: a legalização do aborto, da maconha e da união civil entre pessoas do mesmo sexo, questões palpáveis, de fácil aplicação e execução, e que contribuem de maneira muito mais efetiva para o desaparecimento de certos problemas do Brasil, como por exemplo, a própria segurança pública.
Se a campanha do nulo permanece para as eleições do ano que vem? Não sei, tudo depende de como andar a carruagem.
Escrito por Mr. B às 00h48
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Esquerda, volver! Parte I

O que é ser de esquerda hoje? Em um contexto onde o governo que diz estar nessa posição, se hibridiza entre a política econômica ortodoxa, rezando na cartilha do ideário neoliberal e o discurso progressista de justiça social, combate à fome e à miséria beirando as vezes a retórica radical, acusando elites – nunca especificadas - de planejarem sua queda.
Foi em busca de respostas para essa pergunta básica e também com um misto de curiosidade entre ver como estão se comportando os ex-companheiros do Partido dos Trabalhadores no atual momento de crise política e conhecer a megalópole brasileira que em vinte anos só tinha ouvido falar, São Paulo.
Bem, a cidade vai bem obrigado, me valeu diversos questionamentos sobre o senso megalomaníaco do paulista, o grande número de indies, entre outros apontamentos que valem para outros artigos.
A decepção veio por conta da participação do evento em si. A Assembléia Nacional Popular e da Esquerda não me suscitou a paixão para continuar sendo um ferrenho opositor do plano conservador e imperialista que está em curso. Não que eu tenha mudado de opinião, continuo esse ferrenho e incansável opositor, mas acho que terei que procurar outras armas de luta para continuar nessa batalha saudavelmente.
O que eu estou tentando dizer é que mesmo em um encontro que se propunha a discutir a crise política, não só do Governo Lula mas como também do Estado Burguês em essência, apontando soluções e sinalizando, de fato, com uma saída à esquerda, as pessoas se preocuparam tanto em ficar costurando apoios, discutindo politicagem como se faz magistralmente no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Troca de apoios, filiações e desfiliações e muita mesquinharia marcaram todo o final de semana.
Ao final, já exausto de todo aquele desfile de egos na longas horas que sucederam a aprovação da carta de resoluções da Assembléia, pego o documento e vejo que todo aquele final de semana tinha sido em vão, não só para mim, mas para todas aquelas pessoas, pois nada daquilo, salvo algumas exceções, tinha alguma aplicabilidade prática.
O grande problema da esquerda, na minha opinião, é estar com um discurso romântico enferrujado, que não possui mais poder de aglutinação, nem de luta. Parou no tempo, deveria ter sido aposentado após a década de 1980. Do outro lado, o sistema capitalista, como sempre, soube se renovar para evitar que uma crise o derrotasse de vez. Realizou-se o Consenso de Washington, e com ele o neoliberalismo que nos rege até hoje, junto a uma dose maior de dominação imperialista por parte dos EUA.
Escrito por Mr. B às 01h05
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Esquerda, volver!! Parte II
E a esquerda, ficou aonde nesse tempo? Cogitando luta armada, criando partidos operários revolucionários, se dividindo cada vez mais, uns se radicalizando de maneira com que o diálogo se tornou impossível e outros sendo cooptados e querendo cooptar cada vez mais, deu no que deu, escândalos em profusão, corrupção, desvios de grana pesadíssima, não só aqui no Brasil, mas outros partidos socialistas e/ou comunistas que possuíam a mesma linhagem do PT também se meteram em atoleiros nos últimos 15 anos e continuam perdendo espaço e identidade programática, vide os exemplos da esquerda européia como o Partido Trabalhista da Inglaterra, que se aliou ao ultra conservador Bush, numa guerra ilegal, o SPD na Alemanha, que após sofrer uma sangria de militantes cogita governar junto à direita, sem esquecermos do aggiornamento do Partido Comunista Italiano e as denúncias de corrupção que afastaram os socialistas espanhóis do poder por mais de uma década.
O que fazer? Nem Lênin em seu homônimo livro pode nos ditar. A esquerda precisa de fato, sofisticar seu discurso ás causas que estão em curso nesse início de século e de milênio, precisa abandonar de vez o discurso da certeza revolucionária, que num tempo de incertezas nada mais é do que falacioso. Os movimentos sociais estão eclodindo aqui e ali, esse povo precisa ser ouvido, os desempregados, os sub-empregados, os oprimidos pelos órgãos estatais por serem diferentes, a população carcerária que se conscientizou e viu que só foi parar ali por causa de um sistema altamente excludente. Isso não faz parte do senso comum que nos é passado todos os dias de que ladrão é ladrão, de que camelô é ladrão, de que lugar de mulher é em outdoor de cerveja, de que viado tem que morrer e negro voltar para a senzala de cabeça baixa.
Articulando e organizando todo esse contingente esquecido pelo fanatismo do proletariado inexistente, é que poderemos fazer a verdadeira revolução. A Revolução de verdade começa local, começa com uma série de atitudes corriqueiras, e não com armas (que seriam conseguidas não se sabe aonde) e guilhotinas, isso hoje é artigo de museu.
Saí de São Paulo, no entanto, com a sensação de que este trabalho vai ser mais árduo do que ir ao mercado negro comprar armar e fazer uma brigada vermelha, raptando uns ACM´s da vida em busca do sonho dourado da Revolução. Mas é esse trabalho de formiguinha que pode, de fato, alcança-la em sua plenitude e assim, poder respirar aliviado com a sensação de dever cumprido.
Para finalizar, tento responder o que é ser de esquerda hoje. Ser de esquerda é ser humanista, é se sentir injustiçado pelas causas do mundo, é ser solidário, é ter senso crítico, é ter consciência dos problemas locais, nacionais e mundiais, e correlaciona-los, é se preocupar com as minorias, é lutar para se expressar de todas as maneiras possíveis, é ser fã da democracia radical, em suma, é ser diferente justamente do inimigo comum, criar possibilidades e alternativas de convivência, respeito e principalmente amor, pois um socialista sem amor, definitivamente, está longe de ser um socialista.
Escrito por Mr. B às 01h03
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A DITADURA DA INFORMAÇÃO

A coisa mais fácil que existe nos dias de hoje é você poder dizer o que pensa, sente ou lembrou agora nesse momento. A internet, as rádios comunitárias, os cd´s copiados, estão aí para fazer valer essa liberdade esgarçada de expressão.
Falar o que quiser então, hoje em dia, é a coisa mais banal do mundo. O difícil está em fazer com que as pessoas leiam, vejam e opinem sobre suas impressões lá divulgadas. Nesse aspecto, podemos dizer que vivemos num estado de censura às avessas, onde a quantidade de informações divulgadas hora após hora, minuto após minuto, é muito mais do que um ser humano comum pode assimilar, fazendo com que esse mesmo indivíduo abdique dos meios de “difícil acesso”, onde a linguagem é livre e a propaganda menos intensa, e prefira continuar com seus velhos conhecidos oligopólios midiáticos.
A cultura do blog nasceu para se contrapor em opiniões e argumentos à esses coronéis que respondem pela mídia, não só no Brasil como no mundo. A resposta desses para os blogueiros, foi a criação de páginas específicas, que divulgam a opinião daquele veículo de forma mais “ordeira” e palatável.
Portanto, é importante que não nos deixemos esmorecer por causa disso. A cultura marginal deve combater, disseminar, fazer florescer e transparecer o que se passa entre as mensagens que nos são enfiadas goela abaixo a cada segundo.
O propósito do B-sides é dar uma visão particular, e não por isso menos geral, do que se passa no cenário underground, no que diz respeito a sons, fotogramas, cores e podreiras afins. Além de opiniões sobre o que acontece no país e no mundo, em relação a política, ideologia, jogo de poder e mídia.
Espaço livre para a política de Copyleft. Deleitem-se com o B-SIDES.
Escrito por Mr. B às 01h12
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