




|
Meu Perfil BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, TIJUCA, Homem
|
|
 |
b-sides
Exorcizando - Breve relato de um vocalista pretensioso

Garage - Dezembro de 2003
Já cheguei meio atrasado, pedindo desculpas, mas nem foi por culpa minha. Era para começar as oito, eles estavam lá às oito, eu que cheguei com uns vinte minutos depois. Mas eles aparentaram, e senti que era verdade, não ligar.
Puxaram uma música logo de cara, peguei o microfone e cantei-a como já não fazia há meses, e põe meses nisso, Fluiu muito bem. O outro guitarrista chegou depois de duas ou três músicas e algumas repetições e erros. Teve problemas com o amplificador, mas logo tudo se resolveu. Agora a banda estava completa!
As letras que eu julgava perdidas em algum baú empoeirado da minha mente, saíram perfeitamente, verso por verso, estrofe por estrofe. Os guturais ainda permanecem os mesmos, meus receios não valiam de nada, o espírito ainda permanece.
Uma hora se passou no relógio instalado estrategicamente no alto da porta de entrada. Bebemos água, a garganta arranhava um pouco, mas não era nada, sempre acontecia isso. Mais alguns erros, invencionices e desencontros, entremeados pelas músicas que consideramos os clássicos eternos da nossa banda, que em agosto passado completou 4 anos de existência.
Banda que começou no quinto andar de um prédio na 28 de setembro em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Eu, então com 17 anos compunha algumas letras de bobeira mesmo, para extravazar, blasfemar contra tudo, embalado pelo Thrash, death e black metal que eram presenças constantes no meu disc-man.
Meu irmão pensava parecido, sonhava em ser baterista. Treinava em casa mesmo, no famoso air drums, tivera algumas experiências com banda que, no entanto, não foram muito bem sucedidas, queria algo mais do que o usual, queria a raiz da coisa, a veracidade no tocar e a ferocidade sonora que isso poderia causar.
Ficamos bolando um projeto, devaneando como sempre, mas daí só o primeiro nome que logo seria abandonado saiu: Sacrifício Humano. Um dia meu irmão comprou uma bateria, colocou-a no nosso quarto, ocupando quase a metade do espaço, dominado pela bagunça caótica de dois preguiçosos por natureza. (continua...)
Escrito por Mr. B às 16h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Exorcizando - Breve relato de um vocalista pretensioso Parte II

Garage - Dezembro de 2003
Barulho, barulho, o esporro era muito perceptível, mas fingíamos que não estávamos nem aí. A vizinhança olhou torto no início, mas logo se acomodaram. Combinei com um grande amigo meu do colégio um ensaio, ele tinha saído da experiência de uma sucessão de bandas tocando sucessos farofas nas festas acadêmicas e queria mais.
Sempre tivemos um problema crônico com baixistas, todos que apareceram, acho que já podemos contar mais de 7, sempre apresentaram algum problema, ou sumiram, ou eram loucos de pedra e afins.
Nosso primeiro ensaio foi legal, precário, mas muito legal. Eu me esgoelando num microfone baixo, espremido entre a cômoda da televisão e a beliche, o guitarrista sentado na cama de baixo e meu irmão suando em bicas, característica que lhe marcou durante as brincadeiras em off.
Foi engraçado por que já nesse ensaio, fizemos umas quatro músicas, parece que já estávamos com uma gana tão grande de tocar, que quando a coisa aconteceu tudo se encaixou de uma vez, sem vaselina nem nada. Umas seis músicas aí já estavam prontas, esperando apenas um certo “aprimoramento”. Nos despedimos do guitarristas, já era tarde, meu irmão tomou banho, enquanto eu ainda fiquei pensando, sentado no sofá como tinha sido manero o ensaio.
Dias depois, o nome definitivo viria à tona: Exorcismo Negro. E assim começou a história.
Dez horas, fim do ensaio. Após uma discussão amistosa de que dia seria interessante um novo ensaio, fomos embora. A volta foi boa, e o show marcado para daqui a algumas semanas espero que também o seja.
Escrito por Mr. B às 16h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Por que votar nulo?
Esse referendo sobre a proibição da venda de armas já está dando no saco. É revoltante ver essa pseudo-polarização entre os bonzinhos globais do “sim” e os malvadões lobistas do “não”.
Acho que ambos os lados estão extremamente equivocados. Primeiro que independente do lado que ganhe a disputa a situação de guerra civil vai continuar na mesma. Agora há pouco, pude ser agraciado com o som das novas metralhadoras adquiridas pelos traficantes do morro do Turano aqui no Rio Comprido. Talvez sejam douradas como a que foi apreendida por esses dias.
Pois é, as mortes diárias e numerosas por armas de fogo não irão ter fim apenas com uma clicada na urna eletrônica, não temos no nosso país uma cultura armamentista, de idolatria à rifles e revolveres, como nos EUA. Temos uma guerra civil velada, instaurada graças aos 500 anos de descaso e da gritante desigualdade e corrupção das esferas públicas e privadas, que fazem com que isso aqui nada mais seja do que uma versão estendida de uma “República de bananas”.
Do outro lado, os que pregam a vitória do não, conclamam a liberdade individual para que as armas não sejam proibidas “se você não precisa de uma arma, não impeça quem precisa ter uma” dizem eles, então se formos nos guiar por essa lógica, temos todo o direito de matar, afinal estamos apenas cumprindo a nossa liberdade individual de eliminar aquele que não estava a respeitando, e você, que é pacifista, tem que me respeitar. Isso sem falar nos lobistas – a famigerada bancada da bala - e conservadores sujos que estão por trás desse “não”.
Então como fico eu e outros brasileiros – milhares, eu espero – que não concordam com nenhum dos lados mas querem ter sua participação considerada. A saída redentora é o nulo. Só ele pode nos salvar de mais uma babaquice que esse governo, eleito por mim aliás, nos faz passar.
As conseqüências da vitória de um dos lados é muito perceptível. No caso do sim, a violência permanecerá a mesma, ou até aumentará com a ascensão de mais um tipo de traficante, o de armas, que vai lucrar estrondosamente, vendendo armamamento para os ditos “cidadãos de bem”, que não irão concordar com a lei instaurada e vão alimentar esse mercado ilegal, criando mais uma frente de confronto com o Estado de Direito e portanto, mais tiroteio, mais feridos e mais mortos.
Caso o não ganhe, a coisa permanece como está e a violência aumenta de qualquer forma, pois será a porta aberta para os mais novos lançamentos mundiais, o que há de mais sofisticado em armas de fogo, pois será a reafirmação e legitimação de um círculo vicioso, alimentado pela indústria que – direta ou indiretamente – lucra com a celeuma da violência no nosso país, em que para combater a violência, basta apenas uma dose maior de violência.
O nulo não vem como um voto daquele que não sabe do que se trata a questão, claro que esses existem mas, pelo contrário, pode se transformar no voto das pessoas que pensam crticamente e com independência de interesses escusos ou não. Num plano ideal, a vitória do nulo seria a prova cabal de que a sociedade brasileira está crítica e consciente o bastante para definir seu rumo na história, se firmando de vez como um personagem político – e de peso, diga-se de passagem!
Quem se amendrontaria com isso seria a elite política desse país, que talvez tomasse um pouco de vergonha na cara e trabalhasse com seriedade, pelo desenvolvimento da nação e consultando o povo em questões mais relevantes como: a legalização do aborto, da maconha e da união civil entre pessoas do mesmo sexo, questões palpáveis, de fácil aplicação e execução, e que contribuem de maneira muito mais efetiva para o desaparecimento de certos problemas do Brasil, como por exemplo, a própria segurança pública.
Se a campanha do nulo permanece para as eleições do ano que vem? Não sei, tudo depende de como andar a carruagem.
Escrito por Mr. B às 00h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
 |
|
|
|